Médicos recebem garantia de mais vagas de internato

Os partidos da esquerda saíram ontem da comissão de Saúde com o compromisso de redigirem um documento "conjunto e mais abrangente", a partir dos projetos de resolução do PS, do BE e do PCP, que pede ao governo "a adoção de medidas urgentes para a criação de vagas adicionais ao concurso de internato médico". Um projeto que já vem do ano passado, a propósito dos jovens médicos (114) que em 2015 não puderam candidatar-se a uma qualquer especialidade.

"Vamos tentar uma redação conjunta, vamos ver se é possível", disse ao DN António Lacerda Sales, também ele médico e deputado eleito pelo PS, que participou na reunião de ontem ao lado do socialista Luís Graça, de Teresa Caeiro (CDS), Cristóvão Norte (PSD), Jorge Costa (BE) e Paulo Sá (PCP), um dos autores desta recomendação. As três forças políticas que sustentam o atual governo concordaram em sentar-se à mesma mesa para redigir a proposta, cuja versão final deverá ser discutida na próxima reunião da comissão. Desse documento farão parte os projetos de resolução do PS (alteração das normas e das condições de acesso à formação específica em Medicina) e do BE (a implementação de medidas que garantam o acesso a formação especializada a todos os médicos). O PCP levantou a questão pela primeira vez no final do ano passado, a propósito do concurso para o internato médico de 2015, marcado por uma sucessão de acontecimentos "que são motivo de grande preocupação para os jovens médicos e para a qualidade da prestação de cuidados de saúde à população".

Em novembro de 2015 foi publicado o mapa de vagas para o concurso de internato médico que incluía um total de 1569 vagas. Soube-se, entretanto, que as vagas não eram suficientes para o número de candidatos (mais de 1700), pelo que haveria jovens médicos impedidos de ingressar na especialidade. No dia seguinte iniciava-se o processo de escolha de vagas, e dois dias depois foi publicado o mapa final de vagas. A 4 de dezembro era publicado o aviso a informar os candidatos de "que foram preenchidas as 1569 vagas, dando-se, assim, por concluído o processo de escolhas de especialidade inerentes ao concurso referido". O PCP diz não ter dúvidas de que "o concurso fica ainda marcado por situações que, de acordo com várias organizações representativas dos médicos, configuram irregularidades, erros, atrasos e falhas na plataforma informática". Perante a informação, confirmou-se que 114 jovens médicos não tiveram opção de escolha de especialidade.